Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.

sábado, 24 de junho de 2017

Porto_ dia III

Dia 17 de junho
 
A manhã foi de encontro os Porto Sketchers (desenhos publicados no dia 19). Após o almoço za zona de Guindais, descemos a ribeira e voltámos a subir a rua Nova da Alfândega. Decidimos retomar o tour de autocarro. O desenho que se segue foi feito enquanto esperávamos - vista para o Monumento Igreja S. Francisco
 
 
Seguimos rumo à Casa da Música. Faço, uma vez mais, um esforço para entender este tipo de soluções arquitectónicas. Ainda não foi desta. Mas mais importante que os edifícios são os programas funcionais e os conteúdos ali trabalhados. Aí o valor é inquestionável. Agrada-me sobretudo a apropriação do espaço exterior.
 
 
Voltámos ao autocarro, agora rumo a Serralves. Passamos da arquitectura "objectual", para uma arquitectura de contexto, em plena harmonia com o lugar onde se encontra implantada. Os desenhos não correram bem, talvez tenha sido o peso da responsabilidade de "desenhar" o mestre Siza Vieira... É um edifício de uma beleza incrível. E o jardim...

 
 
 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Musica@variada na Ferin

Voz e Guitarra de Nuno Matos Silva

Estranhos

Casas são habitadas, temporariamente sempre... algumas transformadas, manipuladas, de passagem, sem fronteiras... abrigo a nomadas sociais, viajantes, curiosos, exploradores...
Depois do boom de Hostels no Porto, fui ver como caminham as casas agora... desenhar estranhos... viver por dentro... conhecer problemas, descobrir soluções...




Praticando skylines no Algarve

Desta vez um skyline que cheira a férias, pintado ontem mas...com nuvens de fumo no horizonte.
Não, não queremos mais incêndios!


Perdidos e achados - Portimão


Podia ser um tema para a célebre reportagem semanal da SIC, os posts que eu deixo em arquivo durante meses... 
No longínquo mês de Março, eu e o Pedro Loureiro fomos convidados para dar um workshop de desenho que se prolongava num encontro no dia seguinte. Não me vou alongar nas palavras porque o post do Pedro explica muito bem tudo o que se passou por lá. Desenhei muito pouco, como é habitual sempre que venho de um workshop. Foi mais conversa, tempo em família e fugir da chuva que insistia em estragar um fim-de-semana que se queria bem mais solarengo.  
Depois de fugir à intempérie, fomos todos surpreendidos com um belo repasto no Bar Porta Velha, com tudo o que tivemos direito, incluindo um mega tacho de Caldeirada Algarvia. Aqui o destaque vai para a minha filha que de folha em folha ia desenhando todos os que estavam sentados à mesa.




Feira do Livro de Lisboa : This is the end.....

Ramo de Pinheiro no Parque Eduardo VII
Marcador : Canetas de Feltro

Câmara de Lobos

Almoçando entre turistas, atuns e ponchas.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tango em Lisboa

Durante praticamente uma semana, algumas centenas de entusiastas de tango de todo o mundo invadiram o cenário glorioso do grande salão da Voz do Operário, para participar no Festival Internacional de Tango de Lisboa.

 

Durante o dia, maestros ensinavam os menos experientes na arte da dança Argentina. Ao princípio da noite, garrafas de champanhe abriam-se ruidosamente em celebração dos espectáculos mistos de uma banda de Buenos Aires e os cantores e dancarinos que fizeram a plateia viajar no espaço e no tempo, através do Atlântico e para lá do equador, até à década de 30, e aos clubes fumarentos da cidade à beira do rio de prata.


Depois, à meia-noite, todas as mesas eram retiradas. O enorme clube transformava-se num salão de dança para a milonga que durava até ao nascer do sol. Casais juntavam-se para a primeira dança e raramente continuavam juntos, um pouco como um evento de fast-dating. Parceiros experimentavam o abraço de uns e outros, e procuravam quem lhes agradasse para dançar pela noite dentro.
 

Nós, os desenhadores, desenhávamos. Não durante tanto tempo como os dancarinos dançavam porém, porque a semana já ia longa para todos. Eu, tendo apenas como referência uma única prancha da banda desenhada Tango, de Hugo Pratt, tentei seguir o trilho do mestre, e os passos dos maestros tanto no palco como no salão.

Escadas - Perspectiva Esférica Equirectangular

Voltando ao tópico por outro ângulo, resolvi desenhar as mesmas escadas em perspectiva equirectangular. As linhas rectas são mais difíceis de fazer (já não se transformam em arcos de círculo, mas em sigmoides de vários tipos), mas o desenho final fica inscrito num rectângulo em vez de um disco, o que facilita a apresentação.


Outra vantagem é que esta perspectiva pode ser apresentada como anamorfose, usando um display de realidade virtual como o do Flickr (arraste o mouse para ver os vários ângulos):

equirectangular stairs 2

O desenho ainda está muito longe da conclusão. Faltam mais umas viagens ao vão de escada e mais umas horas agarrado à régua e trannsferidor. Quando acabar partilho :)

Feira do Livro de Lisboa

Família
Esferográfica : Canetas de Feltro


Porto II_II

A manhã começou com uma conversa sobre noticias no café do jardim, o pasteleiro tinha feito umas natas fabulosas, estava chocado a ver o jornal e quando mo emprestou, também o fiquei... mas o meu tempo não esticava, agradeci e acelerei para um dos meus lugares favoritos... um jardim romântico ...reservado, mas com empregadas simpáticas.



Depois de explorar alguns palácios antigos e ruas menos movimentadas com pérolas de edifícios esquecidos, parei alguns minutos para recordar a Casa da Música do Porto.


Há sempre uma esplanada por perto em dias de calor, ou um degrau para apontamentos rápidos, como na casa da Viscondessa de Santiago de Lobão... de portão fechado.


Rumo a Serralves, decidi teleportar-me rapidamente em vez de andar a fazer um raly de esplanadas e finos...
Serralves é mais uma pequena maravilha, não deu para desenhar muito, passei a maior parte do tempo a explorar coisas de génios, entre o exposto e o espaço que expõe.
Os jardins estavam com um manto especial, o Sol ainda não descobrira e a atmosfera era despojada de pessoas ou palavras.
Queria desenhar a Casa de Chá mas ficou para quando estiver em flor... registei rapidamente o roseiral...


Enquanto me envolvia em pensamentos, decidi rematar estes belíssimos dias com um desenho de reflexão, nos jardins da Casa de Serralves... onde as gaivotas se banhavam e os miúdos espreitavam o que eu estava a cozinhar...



Com tantos poemas visuais e linha vermelho/rosa confesso que às vezes é preciso desenjoar com alguns pretos... são desenhos abertos de sentir, atmosfera doce, ternurenta, entre a realidade e o sonho...

últimas aulas

isto é, professores em fins de semestre...

Açores - Ponta Delgada





Alto da Mãe de Deus, bocados daqui e dali. Um local com um soberba vista quer para o mar e cidade, quer para os montes circundantes,

Vila Viçosa

No último fim de semana aconteceu o último 10 por 10 Alentejo. Aproveitei para ir na sexta, ver os meus pais e passar lá o fim de semana. Para além dos desenhos da oficina e do encontro fui fazendo outros aproveitando as alturas mais frescas do dia.

Na noite de 16 de Junho estava calor e abafado. Por isso decidi fazer um desenho na rua e tentar desesperadamente apanhar algum ar fresco. Desenhei a Igreja de São Bartolomeu. Como as luzes da praça são escassa e amareladas a pintura foi  mais ou menos daltónica. Só quando cheguei a casa é que me apercebi das cores que tinha utilizado. Achei esta experiência divertida.

Acordei bem cedo no sábado. Fui até à esplanada do Café Restauração do meu amigo Manel. Estava fresquinho. Bebi um café e comecei a desenhar. Foi um desenho demorado, quase introspectivo. Entretanto chegou o Vicente Sardinha e o desenho ficou por aqui porque tínhamos de por a conversa em dia.

No sábado à tarde depois do encontro começou-se a levantar um ventinho. Por isso eu e a Inês decidimos fazer mais uma pausa e desenhar. Tenho boas memórias daquela esplanada ao fundo. No passado comi ali muitos caracóis acompanhados de uma imperial. 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Porto_dia II

Saímos cedo do Hotel, descemos a rua de Fernandes Tomás e passámos pelo Mercado do Bolhão. Entrámos e percorremos as bancas. Metade do mercado está preenchido por andaimes, anunciando obras. Os manjericos estavam em maioria. Os pregões já não são o que eram. Tudo muito calmo, talvez calmo demais...
Saímos e seguimos até à Rua da Trindade. Um café na explanada do Terrace bar, com vista para a fachada lateral da Igreja da Santíssima Trindade.
 
 
Café tomado, descemos pela Rua da Trindade, até aos Aliados. Lá está a Câmara Municipal a fazer-se ao desenho. Está calor, muito calor, uma boa desculpa para parar à sombra (e desenhar). 
Descemos a Av. dos Aliados e subimos rumo à Torre dos Clérigos, onde fizemos a nossa 1ª visita ao interior, incluindo a subida à Torre. A Igreja é de uma beleza incrível. Tivemos sorte, pudemos ouvir o órgão de tubos a ser tocado. A subida à Torre é atribulada - espera e exiguidade do espaço, mas vale cada degrau que temos de subir. A vista panorâmica sobre a cidade é de uma beleza indiscritível.
 
 
Saímos cansados, mas de alma cheia. Ao lado da Torre, temos um "ser estranho" que parece ter caído de para-quedas - a praça dos Clérigos (recuso-me a classificar esta intervenção). Mas como que a pedir-nos perdão pelo atentado urbanístico, eis que nos deparamos com uma pérola - a livraria Lello. Já se paga para entrar, mas podemos converter o custo do bilhete em livros. A vantagem é que já se pode tirar fotografias. Fiquei-me pelo desenho, um cliché - a escada.
 
 
Depois de um tour pela cidade, parámos junto ao Mercado Ferreira Borges. O Jardim do Infante Dom Henrique está repleto de famílias que gozam os últimos raios de sol. Ao lado o imponente Palácio da Bolsa. Lá em baixo, através da Rua da Alfândega vislumbra-se o Douro e a azáfama dos turistas na frente ribeirinha.
 
 
Apesar do cansaço, não resistimos e descemos, rumo ao rio. Decidimos fazer o ultimo passeio de barco do dia. Enquanto esperamos cá fora, aproveito para registar a Praça da Ribeira. No barco, ainda há forças para um último desenho. Amanhã há mais....
 
 
 

Passeios por São Miguel

Ontem aproveitei o dia para passear um pouco pela ilha e fui parando em alguns locais. 
Este primeiro foi na Algarvia, muito perto da vila do Nordeste.


De seguida, cheguei à própria vila do Nordeste, onde (apesar de estar a chover) consegui fazer este registo do Farol do Arnel.


Terminei a viagem nas termas das Caldeiras da Ribeira Grande onde pude banhar-me numa piscina de água quente ao ar livre e num final de tarde a chover. 
Estive depois para fazer um registo do local, mas felizmente acabei sim, por beber uma cervejinha no café local. Fica para a próxima.

Porto I_II

O POSK fazia um ano e mesmo a calhar, aproveitei o encontro no Porto, dia 17.
Tive a oportunidade de conhecer melhor o grupo de desenho do Porto e fiquei surpreendido.
Representando a zona norte, são poucos mas de grande simpatia e com grandes talentos,
até me surpreendi quando admiraram o meu caderno, porque na realidade os mestres são eles.
A manhã estava calma e a simpatia de algumas esplanadas levou-me a rabiscar antes do encontro.

Enquanto se preparava o arranque de mais uma etapa de desenho, falava-se de gruas e da pressão imobiliária, aos poucos fui apanhando o Skyline visto da Sé e as gruas la ficaram.

As escadinhas do Barredo eram vigiadas por gaivotas, uma delas veio logo ver o que estava a fazer, mas não ficou impressionada. Os turistas às vezes espreitavam e metiam conversa, aos poucos sugou-se quase o tempo todo.

Para acabar a manhã ainda apanhei mais um pouco das escadas e a família do André, o Tomás até fez uma pose campeão e esteve 5 minutos quieto.

À tarde fomos à procura de pontes e sombra, do lado de Vila Nova de Gaia, optei pela Ponte D. Maria Pia.


Depois das despedidas, ainda desenhei enquanto me esticava no jardim, ao fundo havia um pequeno concerto ao vivo.



terça-feira, 20 de junho de 2017

As gentes de hoje

Duas senhoras que me acompanhavam na paragem do 767 (desenhar a que estava mais perto fez-me doer os olhos), e mais tarde, no Cais do Sodré, uma mulher enorme que dava umas baforadas e umas garotas que pareciam esperar por mais alguém.




Ordenamento territorial

Há anos que não ia à Madeira e não conhecia os teleféricos.
Valem a pena! Dão uns fantásticos percursos, com umas vistas fabulosas e paisagens deslumbrantes.
Ao mesmo tempo uma frustração amarga ao ver que mesmo por baixo de nós, naquele vale subtropical que ardeu bárbara e tragicamente no ano passado, crescem em searas as acácias e eucaliptos selvagens sem qualquer tipo de ordenamento.
Por entre as árvores queimadas, algumas ainda de pé e outras acrescentando uma densa camada morta vêem-se ainda restos de socalcos, levadas e pequenas construções antigas, do tempo em que a pequena agricultura era uma mais valia, mas agora é só o verde a crescer conforme quer. Daqui a dez anos está tudo pronto para nova imprevisibilidade.

Terreiro do Paço pouco tempo antes da trovoada

Depois dos gelados em S.Paulo eu e a Paula Cabral decidimos fazer um último desenho junto do Terreiro do Paço. Apesar de ser já tarde estava imensamente abafado e o céu estranhamente carregado. Mal acabei de pintar e guardar o material, umas rajadas fortíssimas de vento derrubaram as esculturas de pedra junto do Cais das Colunas mal nos permitindo ter os olhos abertos. Depois, uma chuvada inimaginável caiu, e o caos instalou-se na Praça. 
É o que gosto nos desenhos, fazem-me recordar para lá do que registei.