Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

quarta-feira, 26 de julho de 2017

ENcosta: Bairro Reis

Uma escada parte do antigo Matadouro Municipal e serpenteia a encosta. Subir cada degrau sem parar, é um verdadeiro desafio ao coração.
Lá em cima era tudo mais plano. O Bairro foi construído num planalto para os trabalhadores do matadouro. Cada frontaria estava repleta de plantas vistosas. As pessoas acolheram-nos com carinho e simpatia.
Eu fiquei a desenhar a rua enquanto a Suzana foi retratar a Senhora Domingas. Já estava a meio do desenho quando da primeira Janela surgiu a Dona Maria do Carmo. Tinha de arranjar forma de a integrar no desenho.Surgiu assim uma janela fantasma no céu. Levantei-me e fui-lhe mostrar. Ficamos um pouco à conversa. Explicou-me que o seu marido tinha construído o barracão. Na altura era bombeiro e tinha muito jeito para arranjar coisas. Entretanto faleceu e o barracão ficou ao abandono.
Do outro lado a rua é mais um largo onde cada um estaciona o seu carro, O mais interessante é que no meu desenho o que chamou a atenção dos residentes foi uma pequena mancha amarela: "Que bonito, até desenhou o meu passarinho" disse uma das senhoras. Sabe bem perceber que é nas pequenas coisas que podemos fazer a diferença. Nesta altura era muito comum deixar de ver a Suzana. Quando isso acontecia sabia que estava na casa de alguém. Os meus desenhos despertavam sorrisos mas os retratos dela iam descobrindo o interior de cada um. Eram retratos demorados como muita conversa. E a Suzana era uma boa ouvinte.



ENcosta, os meus 10 minutos

22 de julho, 19:45 ..... E quando todos vão embora, os 10 minutos de reflexão...
 
 
Ermida Nossa Senhora do Ameal, a partir do carro, depois de um dia cheio

Algures fora de Chicago

Quem não pode ir a Chicago, desenha outra coisa e regala-se pelo youtube

8 USk Symposium 2017

Já abriu o HUB (centro) do Symposium. É no ginásio da Universidade, todo alcatifado, acadeirado e amesado para o efeito. Há várias mesas com o mais diverso material de desenho para venda e, neste ambiente de sketchers, há sempre quem perca a cabeça e compre mais uma quantidade de coisas.
Houve uma RN geral para monitores de workshops, correspondentes e organizadores. Por enquanto ainda não há sketchers propriamente ditos. Apresentado o programa definitivo, tão preenchido que o único (e muito grande) problema é a escolha.


Cloud Gate, outra vez.

O "feijão" é mesmo magnético, como diz a Rita Catita Afonso. E de facto todos cá voltam, todos aqui se encontram e todos aqui desenham. Inimaginável a quantidade de páginas de diários gráficos com imagens do Cloud Gate do Anish Kapoor.

Rita Catita Afonso e João Catarino

Nelson Paciência 

Preeti Hegde (instagram: preetyhegde )
... e tantos, tantos outros.
Do correspondente USkP em Chicago.

So Long Frank Loyd Wright

Toda a gente cantarolava a música dos Simon & Garfunkle.
Foi uma visita especial à Robie House, organizada para os USk antes do Symp e enchemos a casa.
Mais do que as vistas exteriores foi emocionante experimentar os espaços e as arquiteturas que não se sentem em desenhos nem em fotografias. Marcante.


Robie House

A Casa fica meio tapada pelas árvores que cresceram mito mas lê-se perfeitamente a grande horiontalidade, as cores de terra e os enormes "beirados" em consola.
Um dos projetos mais marcantes do Frank Loyd Wright.


Sketch Tour Portugal - Açores #12


Angra é uma cidade muito interessante.Depois do Algar do Carvão combinámos com o Emanuel Felix (Sketcher da Terceira), aproveitei para desenhar um império com despensa integrada.



A nossa passagem pela Terceira foi paricularmente marcante, finalmente conheci o Emanuel Felix que foi um excelente anfitrião e nos recebeu de braços abertos.
No final da noite saimos à rua para desenhar as Festas Sanjoaninas. Não ficámos muito tempo porque tinhamos de acordar cedo para apanhar o avião rumo ao Pico.

(Cont.)

(Caneta caligráfica, lápis de cor, carimbo, grafite e aguarela)                                                  mais aqui:     «in situ»

A caminho da Robie House

Ainda não começou o Symposium e já é assim no autocarro: Em cada banco um sketcher, cada sketcher um caderno, todos a desenhar.


terça-feira, 25 de julho de 2017

ENcosta: A incrível história do Chico das Medalhas.

Estava a terminar o desenho das casas 49 e 49A quando chegou  o Sr Francisco Vicente (Chico das medalhas para os amigos). - Eu moro nessa casa; disse enquanto apontava para o 49A. E continuou: -Estão perante o homem mais medalhado do mundo. Convidou-nos a entrar para podermos ver os seus troféus. Encontrámos uma divisão repleta de taças desde o chão até ao tecto distribuídas por prateleiras que ocupavam as paredes. Enquanto a Suzana lhe fazia o retrato contou-nos a sua história. Eu fui desenhando  as taças até não caber mais nenhuma no caderno.
Disse-nos que começou a correr aos 54 anos para perder a barriga e logo nesse ano ganhou uma prova. Desde essa altura que tem percorrido mundo. Vai com patrocínios claro porque, como ele diz, se tivesse que pagar 20 euros pela viagem não tinha. Aos 81 anos tinha ganho 81 medalhas de ouro um pouco por todo o mundo, uma por cada ano de idade, sublinhava ele. Com a alcunha de "o papa medalhas que veio do espaço" são raras a corridas em que não fica em primeiro. Hoje tem 84 anos e gaba-se de ter terminado uma prova com 15 minutos de avanço do segundo classificado. Isso gerou desconfiança entre participantes que acharam que ele tinha feito batota. Mas logo ali os desafiou a correrem novamente. No seu discurso nunca lhe faltou energia e boa disposição. Dificultou bastante a vida à Suzana pois estava sempre a levantar-se para mostrar mais uma medalha.

Encontrei uma reportagem do EXPRESSO quando tinha 81 anos. Alguma informação é ligeiramente diferente da que escrevi, mas eu eu ouvi em primeira mão pelo que é essa que considero verdadeira.


O Sr Francisco Mora na casa do Lado Direito
Momento registado pela Suzana Nobre que estava a desenhar ali ao lado.
As taças, as medalhas e os ténis. 1933 data em que o Sr. Francisco nasceu.



Bolos


ENcosta de S.Vicente vista do parque do Choupal, TV.



Desenhar na encosta de S. Vicente, Torres Vedras


ENcosta de S. Vicente- Torres Vedras, do lado esquerdo o conhecido restaurante Páteo do Faustino".

Jardim da Estrela, Lisboa

Estrela is one of my favourite gardens in Lisboa. Not only does it have great historic significance, its social value is clearly evident in the way it is used and appreciated by local people.

I sketched here is 2014, capturing the charming ‘Biblioteca Jardim’ (surely the world’s smallest library), and this visit turned my attention to the fantastic bandstand. Architects have a fondness for straight lines but lately I’ve been trying to overcome this problem and give more personality to the subject—buildings included.


roygbiv




Portel

Na eminência de uma possível despedida desta vila alentejana, o melhor é fazer mais um sketch.

Cloud Gate

Eu bem queria desenhar este (feijão) Cloud Gate, do Anish Kapoor mas nem sabia por onde começar.
A coisa não tem arestas, não tem linhas, nem sombras.
É tudo reflexos e mesmo os reflexos mudam com nossa a mínima mudança de posição. Mesmo s nuvens e o sol mudam. Uma dor de cabeça para qualquer arquiteto sketcher. 
Se calhar é por isso mesmo que resulta tão surpreendentemente deslumbrante.
(Em Chicago, o correspondente USkP.)

10x10 na Comunidade de Emaús

Tema 10: Reportagem de grupo
Mário Linhares

Última sessão do 10 years x 10 classes: um grande projecto internacional USK que decorreu em várias cidades do mundo! E Lisboa não foi a excepção! Com grandes formadores e excelentes exercícios de desenho!
Por aqui terminamos com quem deu início a isto tudo!
 

A Comunidade de Emaús não dá preferência aos objectos expostos por longos corredores ao ar livre. Como também não dá importância à história que existe por trás de cada pessoa que por lá passa. Também não interessa saber o futuro que cada companheiro escolhe para si. Apenas se foca na pessoa. Aquela que procura estar e estar bem. 
E assim também era o primeiro exercício proposto pelo Mário: desenhar em pequena escala os objectos na parte inferior da página e desenhar uma pessoa da Comunidade em escala maior na parte superior da página, dando-lhe assim a sua devida importância!  


Este não é o resultado da proposta do segundo exercício, que seria fazer uma mancha com aguarela e depois desenhar com a caneta preta o edifício e, mais uma vez, pessoas em escala maior! Fiquei com o Matias, enquanto ele dormia e, talvez por isso, tive o privilégio de apreciar esta vista. Sim, é verdade que estava limitada à escolha do ponto de vista, como também o facto de levar as páginas já com um fundo preparado não me dava margens para usar a aguarela, mas também não nego que recusei-me em desenhar uma pessoa nestas páginas... acho que não queria "estragar" as páginas...

Caderno XS - Actualização

Um café à noite

Um almoço na Dolcevita

Uma espera na esplanada da Praia do Coral

E o exame de karaté do meu filho


ENcosta rosa

Há alguns anos atrás, nunca me passaria pela cabeça desenhar na encosta de São Vicente a vermelho com tons rosados, mas as experiências levaram-me a pegar de novo na tinta vermelha.
Conheço estas encosta quase como a palma da mão, via do destino voltei passar por estas ruas em trabalho depois de há muitos anos atrás a percorrer regularmente para visitar os meus avós.
O objectivo deste encontro era registar espaços que mais tarde irão ser alvo de requalificação.


Não optei pelos elementos mais óbvios mas por percursos que me dizem algo de outros tempos.


No fim, o cansaço já apertava, durante a semana acabei por ficar engripado e o vento que se fez sentir não ajudou, mas fui ficando e resistindo até ao ultimo dia, a companhia foi ficando cada vez melhor e existem oportunidades que não se podem passar.
As casas vazias também tem histórias, esta não era dos meus principais objectivos, mas estava cheia de pistas interessantes de outros tempos.